A composição e os armamentos dos alemães que enfrentaram a Força Expedicionária Brasileira na Itália.
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| Soldados da FEB escoltando prisioneiros alemães. |
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| Placa afixada na Itália no exato local onde a FEB aprisionou a 148º divisão alemã. |
Três dessas unidades interessam particularmente aos brasileiros, já que participaram dos episódios memoráveis da FEB: a 232ª de Infantaria (a que defendeu Monte Castello), a 148ª de Infantaria (que se rendeu em Fornovo) e a 114ª Ligeira (engajada na batalha de Montese). Com a 232ª, os brasileiros estiveram envolvidos do final de Outubro de 1944 até Fevereiro de 1945 e voltaram ainda a enfrentá-la na fase de perseguição final aos alemães, em Abril de 45, vale a pena vê-la de perto, a partir dos documentos alemães.
Com data de 22 de Junho de 1944, o Alto Comando do Exército alemão ordenou a formação de cinco divisões “presas ao solo” (bodenständige), para emprego na frente ocidental, na defesa de grandes fortificações ou trechos de costa. A ideia por detrás da organização dessas divisões da 27ª onda (em toda a guerra, os alemães tiveram 31 “ondas” de formação de tropas), era criar rapidamente, no máximo em quatro semanas, unidades com reduzido volume de pessoal, para tarefas específicas de defesa que pudessem empregar, portanto, soldados não tão aptos para outras funções na primeira linha de combate.
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| Rendição alemã aos soldados brasileiros na Itália |
O efetivo previsto era de 9 mil combatentes, ou seja, uns 1.500 homens a menos que as unidades “normais” da Wehrmacht. Os cortes foram feitos, de preferência, nos serviços de retaguarda e suprimentos. As reduções atingiram pesadamente os sistemas de transporte e logística, que praticamente voltaram aos tempos da Primeira Guerra, empregando sobretudo mulas e cavalos para o transporte do equipamento pesado, em vez de veículos motorizados. Explica-se: para o pessoal de planejamento no Alto Comando em Berlim, já que ficaria “preso ao solo”, esse tipo de divisão não precisaria mesmo de muitos meios de locomoção. No caso da 232ª, assim como de suas quatro irmãs, compreendia três regimentos de infantaria (de números 1043, 1044 e 1045, cada um com dois batalhões), um batalhão de fuzileiros, um regimento de artilharia com quatro batalhões, companhias de pioneiros, estado-maior, reconhecimento e defesa antitanques. Praticamente, cada divisão formada nesse período tinha efetivos diversos, mas os planos oficiais previam para um regimento a força de 1.987 homens, dos quais 268 não-combatentes. Um batalhão de infantaria chegava aos 708 soldados, divididos em quatro companhias leves (ao redor de 140 soldados) e uma pesada (200), por sua vez subdivididas em pelotões com cerca de 30 soldados e seções com oito a dez. Um regimento de artilharia compreendia pouco mais de 2 mil homens.
Em geral, mais importantes que o número de soldados de uma divisão, são seu armamento e seu treinamento, além, é óbvio, do comando. O típico batalhão de infantaria da 232ª (eram dois por regimento) deveria possuir 13 metralhadoras leves e duas pesadas por companhia (eram quatro por batalhão). A companhia pesada (uma por batalhão), disporia de seis metralhadoras pesadas, três leves, seis morteiros leves e quatro pesados (que ainda não tinham sido fornecidos quando se formou a divisão). A metralhadora padrão dos alemães era a MG 34 (MG é a abreviatura de Maschinengewehr, metralhadora), que os pracinhas, por motivos inexplicáveis, apelidaram de “Lurdinha”. Como unidade até certo ponto capaz de operar por si própria, um batalhão deveria dispor ainda de uma companhia com dois canhões antitanque de 7,5 cm (que o soldado alemão conhecia por PAK, ou seja, “Panzerabwehrkanone”), três metralhadoras leves e 36 bazucas. Distribuídas por pioneiros, fuzileiros, etc., entre outras armas, a Divisão deveria possuir 8.598 fuzis, 108 bazucas, 2.013 pistolas, 1.595 submetralhadoras, 13 canhões antiaéreos de 2 cm, 22 lança-chamas e 389 pistolas de luz.
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| O general Falconière da FEB (direita) na rendição da 148º Divisão de infantaria alemã. |
Com exceção de 300 fuzis de fabricação tcheca, todas as demais armas de posse da 232ª eram de procedência alemã. Ocorre que a falta de armas nos depósitos e almoxarifados da Wehrmacht, obrigou a Divisão a destacar “comandos” para ir buscar seu material diretamente na linha de produção das fábricas. O equipamento era quase sempre do último modelo, mas isso trouxe, paradoxalmente, dificuldades suplementares: sua chegada tardia ao campo de treinamento de Wildflecken não permitiu familiarizar a tropa com seu uso. Mais tarde, em situação de combate, os alemães tiveram suprimentos e reposição de armamentos cortados e dependiam do que conseguissem do inimigo. Em março de 1945, por exemplo, outra unidade, a 114ª Divisão Ligeira, teria uma lista de armas que incluía 101 carabinas polonesas, 197 sérvias, 26 metralhadoras turcas, 32 iugoslavas e 40 italianas, quatro morteiros austríacos e um total de 30 canhões italianos diversos, incluindo antiaéreos.
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| O General alemão Otto Fretter rendendo ao General brasileiro Zenóbio. |
O meticuloso planejamento do Alto Comando estipulava (na rubrica “meios de transporte”) 501 veículos a motor, 1.395 puxados por animais e até mesmo 678 prosaicas bicicletas, uma das últimas alternativas imaginadas pelos alemães para compensar a falta de gasolina, distribuídas sobretudo ao batalhão de fuzileiros. Para muitos soldados, acabaram sendo essenciais durante a perseguição final que sofreram pelas tropas aliadas, em abril de 1945. Os sobreviventes contam que, pelo menos, ninguém estava a pé e quem não tinha sua bicicleta simplesmente a roubava da população italiana (o que acontecia, evidentemente, com gêneros alimentícios na relativamente rica região da Emilia Romana). No mínimo uns 4 mil cavalos se destinavam à Divisão, dos quais 802 apenas para montar. A realidade era muito diferente dessa descrição minuciosa. Os 300 veículos que a Divisão recebeu (em vez de 500), eram todos usados, a maior parte civis, que haviam sido “requisitados” por toda a Europa. Vinham de 40 procedências diferentes, complicando severamente o trabalho de manutenção. A única exceção se constituía de 20 caminhões Opel Blitz de três toneladas, a cargo da companhia de transportes e três tratores de 12 toneladas (do batalhão pesado de artilharia), que eram novos. A Divisão precisou organizar por sua conta o transporte dos veículos de Berlim, Kassel ou Praga para o campo de treinamento de Wildflecken (localidade a leste de Frankfurt que até hoje serve para fins militares: atualmente a OTAN treina ali tiros de artilharia), aonde chegaram de trem, por falta de gasolina. Pelo mesmo motivo – racionamento de combustível – não puderam ser utilizados para fins de treinamento.
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| Uma divisão inteira . |
Evidentemente, a mobilidade da 232ª era das mais reduzidas, o que se agravaria ainda na Itália em virtude da total superioridade aérea dos aliados. Apenas um terço dos homens e do material podia ser transportado ao mesmo tempo. Isso retardou consideravelmente a entrada em ação da Divisão nos Apeninos, a partir de meados de outubro de 1944. Apenas as companhias do Estado-Maior, de comunicações, defesa antitanques e três colunas de transporte podiam mover-se por conta própria.
Em comparação com os alemães, a FEB dispunha de recursos de transporte consideráveis, o que foi inclusive louvado por seus comandantes como um dos elementos táticos essenciais para o bom êxito de operações de combate.
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| Foto do arquivo do 20º GACL A de Artilharia de Campanha Leve. Grupo Bandeirante que participaram da Segunda Guerra na Itália. |
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| Armas alemãs sendo descarregadas pela FEB. |
Também os pioneiros (tropa empregada em serviços de engenharia, como preparação de estradas e fortificações, tarefas táticas, como preparação do terreno para um ataque ou ainda, assegurar a retirada através de minagem, destruição de pontes, etc.), em ação num terreno difícil e acidentado como o dos Montes Apeninos, com pontes e estradas destruídas ou em péssimo estado, não receberam o material pesado prometido.













